quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Legitimidade da ação do MST no caso dos laranjais



Hoje mesmo, em uma aula sobre relações de poder, iniciamos a discussão sobre a legalidade/ilegalidade, legitimidade/ilegitimidade de ações dos movimentos sociais.

Entre outras abordagens, levei para debate um poema do alemão Bertold Brecht (1858-1956): "Quem se Defende". Apesar de muito superficial e tumultuada a discussão (coisa comum em salas superlotadas de terceiros anos de Ensino Médio, com alunos que estão por instantes da "alforria" de sua saga escolar), muitas opiniões poderiam estar representadas nas que encontrei no blog de Maurício Caleiro, http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2009/10/mst-e-laranjas.html . Por esse motivo, recortei e colei abaixo um pequeno trecho da discussão sobre a legitimidade da ação do MST no caso dos laranjais, postado no tal blog. Vale a pena acessá-lo e ler o texto completo e os comentários de alta qualidade, em sua maioria. Recomendo.
Edwiges


"MST e laranjas
O MST é detestado por todos: da direita ruralista à esquerda chavista, passando por tucanos, petistas, psolentos, verdes, azuis e amarelos. Mesmo os que fingem apoiar o MST o detestam.Isso porque há uma antipatia ancestral e inata contra o MST, esse arquétipo de nosso inconsciente coletivo, esse cancro irremovível que insiste em nos lembrar, mesmo nos períodos de bonança, que fomos o último país do mundo a abolir a escravidão e continuamos sendo uma porcaria de nação que jamais fez a reforma agrária.
O MST é o espelho que reflete o que não queremos ver.Há duas questões, na vida nacional, que contradizem qualquer discurso político da boca pra fora e revelam qual é, mesmo, de verdade, a tendência ideologica de cada um de nós, brasileiros: a violência urbana e o MST. Diante deles, aqueles que até ontem pareciam ser os mais democráticos e politicamente esclarecidos passam a defender que se toque fogo nas favelas, que se mate de vez esse bando de baderneiros do campo, PORRA, CARAJO, MIERDA, MALDITOS DIREITOS HUMANOS!O MST nos faz atentar para o fato de que em cada um de nós há um Esteban de A Casa dos Espíritos; há o ditador, cuja existência atravessa os séculos, de que nos fala Gabriel García Márquez em O Outono do Patriarca; há os traços irremovíveis de nossa patriarcalidade latinoamericana, que indistingue sexo, raça, faixa etária ou classe social:O MST é o negro amarrado no tronco, que chicoteamos com prazer e volúpia.O MST é Canudos redivivo e atomizado em pleno século XXI.O MST é a Geni da música do Chico Buarque - boa pra apanhar, feita pra cuspir – com a diferença de que, para frustração de nossa maledicência, jamais se deita com o comandante do zeppelin gigante.E, acima de tudo, O MST é um assassino de laranjas!E ainda que as laranjas fossem transgênicas, corporativas, grilheiras, estivessem podres, com fungos, corrimento, caspa e mau hálito, eles têm de pagar pela chacina cítrica! (...)"

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"Quem se defende
(Bertold Brecht)
Quem se defende porque lhe tiram o ar, ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo que diz: ele agiu em legítima defesa.

Mas, o mesmo parágrafo silencia quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.

E, no entanto, morre quem não come e quem não come o suficiente, morre lentamente.
Durante os anos todos em que morre, não lhe e permitido se defender."

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