quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Alunos: seres vivos! Teorias: explicações sobre a vida!

Boa tarde

Nesta semana ouvi um poema, lido pela professora Áurea Guimarães, em sua aula na disciplina "Escola e Cultura", FE/UNICAMP: "Seres Vivos". O poema tratava da agitação dos(as) alunos(as) enquanto seu professor tentava introduzir o tema do dia: seres vivos. Finíssima ironia!
Considerei uma excelente descrição crítica do dia a dia nas escolas, ou seja, enquanto se tenta teorizar sobre a vida, ela está acontecendo na nossa cara. Enquanto os alunos buscam viver e entender sua vida, nós não os ouvimos e não entendemos sua busca.

Porque eles nos ouviriam? Que teorias temos para oferecer?

Os conceitos e conhecimentos técnicos têm que estar contextualizados para fazerem sentido e isso nós, professores e educadores em geral, temos dificuldade para fazer, devido à própria estrutura da escola, sua compartimentalização dos saberes, burocracia escolar, ao grande desconhecimento (ou esquecimento) que há entre os professores e gestores de que o currículo é político... Vale lembrar o quanto, atualmente, pesa sobre nós as determinações autoritárias vindas dos mais altos escalões da educação e suas medidas para formação de professores, que nos obrigam a cumprir estudos baseados em meros textos de auto-ajuda ou conferências marcadas pelo discurso vazio.

Enfim, assim como nossos alunos, passamos a vida buscando respostas para angústias e decisões que temos que tomar a cada passo. Na maioria das vezes perdemos tanto tempo e cometemos tantos erros por simplesmente ignorar coisas que já haviam sido pensadas e teorizadas, lançamos mão do pensamento baseado no senso comum e reproduzimos formas e conhecimentos já estabelecidos.

Às vezes ouvimos uma teoria nova (ou requentada) por meio dos formadores de opinião, na mídia (apresentadores de tv, jornalistas, intelectuais, celebridades, religiosos, etc), nas escolas, nas igrejas ou cultos, etc. Outras vezes conseguimos recuperar o caminho para leituras profícuas e que em algum momento fizeram sentido para uma transformação libertária. Mas, imersos num sistema de opressão e exploração, geralmente, continuamos a "correr atrás do próprio rabo".

Como diferenciar as teorias e formas de pensamento que libertam daquelas que iludem?

A teoria que liberta é uma precisosidade que defendo com toda garra, é a abstração que fazemos a partir da experiência vivida, da observação e da reflexão sobre tudo isso, de forma crítica e apontando para a transformação.
Oras! Se são teorias que libertam, é evidente que não serão nossos opressores e seus lacaios que facilitarão para que as acessemos e, muito menos, que as divulguemos. Esse desconhecimento que carregamos é plantado e faz parte das formas de dominação, exploração e opressões que nos impingem.

Sendo assim, aprender a diferenciar e divulgar as teorias que libertam das que iludem, é tarefa árdua e que depende da atitude de resistência dos professores, por meio dos estudos, das discussões com colegas interessados e do posicionamento diante dos impedimentos.

Aos alunos, pergunto: estão satisfeitos com o que sabem sobre:

. as consequências "reais" entre escolher estudar, estagiar, trabalhar? Será que cada um realmente escolhe o que quer? Ou os caminhos são traçados pelas ideologias inculcadas na escola, ou pela mídia, religiões, famílias, etc?;

. as formas de exploração e de como sobreviver no mundo do trabalho, sem deixar de construir o fim dessa exploração? (Uma das contradições mais difíceis de se lidar, até para quem muito já sabe sobre as formas de exploração);

. tornarem-se reprodutoras(es) da força de trabalho, ao gerarem filhos(as), cuidarem da alimentação, da casa, da saúde, das compras, das roupas, da educação, do bom funcionamento afetivo da família? Percebem que tudo isso é serviço gratuíto para os patrões terem seus funcionários fortes, saudáveis e estruturados para serem explorados?;

. encontrar a solidariedade, o apoio, o afeto, a aceitação, imprescindíveis para se ter forças para ir em frente na luta diária? Como fazer isso de maneira que seja uma atitude coletiva e não só individual?

Até mais...


&autoplay=1

2 comentários:

  1. Olá Edwigest!
    Sou amigo do Davi, ele sempre fala sobre você e me mandou seu blog pelo meu e-mail.
    Adorei o texto!
    Eu já fui (ou sou ainda) professor de artes e concordo plenamente com seu ponto de vista sobre a educação.
    Acho que o verdadeiro aprendizado se dá através da experiência.
    Confucio diz: "Eu escuto e esqueço. Eu vejo e lembro. Eu faço e entendo."
    Nada substitue o fazer e o experenciar!
    Mas hj em dia as escolas nada mais são do que um preparo para o vestibular, baseado simplesmente na capacidade da memório do indivíduo e não uma estimuladora de potenciais!
    Triste!
    Já estou seguindo seu blog e vou adicioná-lo aos links do meu!
    Abraços!

    ResponderExcluir
  2. Bem vindo
    Boas falas as suas. Bem lembrado, o Confuncio!
    O que sempre me animou é que os alunos sobrevivem, apesar da escola, conseguem preservar muito de sua sabedoria.
    Abraços

    ResponderExcluir

Seu comentário será exibido caso esteja de acordo com os termos estabelecidos no blog. Atenciosamente, Edwiges