domingo, 1 de março de 2009

O ensino de Sociologia no Brasil, seu banimento pelas ditaduras e seu retorno atual

A Sociologia é uma das mais recentes ciências criadas, se comparada com outras conhecidas nas escolas.

O conhecimento científico a que chamamos Sociologia surgiu a partir da Revolução Industrial, buscando compreender e explicar a formação da sociedade moderna, o modo de produção capitalista e as crises decorrentes desse processo.

No Brasil, desenvolveu-se como ciência desde 1865, tendo sido proposta como disciplina escolar em 1897. Porém, somente em 1925, o ensino de Sociologia foi integrado ao curso médio.


Imagem disponível em klickeducação.com.br
As ditaduras no Brasil e o ensino da Sociologia nunca foram compatíveis
Na reforma educacional Gustavo Capanema (1942), na ditadura Vargas (Estado Novo), o ensino da Sociologia foi restringido à obrigatoriedade apenas nas escolas normais (magistério).
No interior das tensões características da Guerra Fria, na efervescência dos movimentos sociais no Brasil, em 1961, retornou como disciplina optativa.
Após o Golpe Militar de 1964, que deu início à ditadura que durou 20 anos no Brasil, em 1971, as aulas de Sociologia foram substituídas pela disciplina OSPB (Organização Social e Política do Brasil).

Apesar de recolocada na estrutura curricular na nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em 1996, somente em junho de 2008 foi aprovada a obrigatoriedade da disciplina Sociologia no Ensino Médio.
Você poderá assistir ao vídeo (7:24 min) em que César Calligari esclarece um pouco o processo de retorno da Sociologia ao ensino médio: http://www.youtube.com/watch?v=G3DkNBIqhhg

Cale-se ou "Cálice"
A letra da música Cálice de Chico Burque e Gilberto Gil nos ajuda a compreender repressão exercida pela ditadura militar no Brasil. Assista também aos 3 vídeos dessa mesma música:
http://www.youtube.com/watch?v=wV4vAtPn5-Q
http://www.youtube.com/watch?v=oXGDlMMOEWg
http://www.youtube.com/watch?v=26g1jQG-n4Y

Cálice

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

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