terça-feira, 28 de agosto de 2012

A proposta de lei que criminaliza a homofobia no Brasil foi aprovada na Comissão de juristas, no Senado, porém ainda não foi votada pelo Congresso (Câmara de Deputados e Senado).
==============================================================
Folha de São Paulo
25/05/2012-19h46

Comissão aprova criminalização da homofobia no novo Código Penal

NÁDIA GUERLENDA
DE BRASÍLIA
A comissão de juristas que discute a reforma do Código Penal no Senado aprovou nesta sexta-feira a proposta que criminaliza o preconceito contra gays, transexuais e transgêneros. O texto ainda precisa ser votado pelo Congresso.
A proposta também criminaliza o preconceito contra mulheres e baseados na origem regional (contra nordestinos, por exemplo). Estas modalidades de preconceito, assim como a homofobia, ficam igualadas ao crime de racismo, que é imprescritível e inafiançável.
Isso significa que, se a proposta virar lei, quem for acusado dos crimes de preconceito pode ser processado a qualquer tempo e, preso provisoriamente, não pode ser solto após pagar fiança.
O texto determina alguns comportamentos que serão considerados crimes, caso sejam motivados por preconceito. Entre eles estão impedir o acesso de alguém em transporte público, estabelecimento comercial ou instituição de ensino e a recusa de atendimento em restaurante, hotel ou clube.
A proposta também criminaliza o ato de impedir o acesso a cargo público ou a uma vaga em empresa privada, e demitir ou exonerar alguém injustificadamente, baseado no preconceito. Dependendo da gravidade, o acusado que for funcionário público pode perder seu cargo.
A veiculação de propaganda e símbolos preconceituosos, inclusive pela internet, também foi criminalizada.
A pena prevista para todas as modalidades de crime vai de dois a cinco anos de prisão, e pode ser aumentada de um terço até a metade se for cometida contra criança ou adolescente.
=======================================================

sábado, 17 de março de 2012

Bullying e cyberbullying: o que você sabe sobre estas formas de opressões?

http://tributoaocordel.blogspot.com/2011/04/
cordel-bullying-uma-tortura-social.html
Há muita coisa sendo pesquisada e escrita a respeito de bullying e cyberbullying. O conceito de bullying é fruto de uma abordagem que generaliza diferentes formas de opressões.
É importante atentarmos para que toda perspectiva universalista cumpre o papel de acobertamento das relações de poder  nas quais prevalecem os interesses contrários aos dos grupos identitários que são oprimidos.
Uma abordagem crítica sobre o bullying deve levar em conta a construção histórica das lutas travadas pelos movimentos sociais de mulheres, negros, indígenas, deficientes, homossexuais e tantas outras minorias. Tais movimentos sociais conquistaram os espaços sem os quais não estaríamos sequer podendo iniciar as discussões sobre bullying.
Negar as lutas históricas e as especificidades dos grupos que são discriminados, excluídos e sofrem violência, não qualificar quais são os grupos oprimidos e quais são os grupos opressores despolitiza o debate e minimiza a ação de tais grupos.
Outro aspecto do qual se deve cuidar, é que boa parte dos discursos que ouvimos diariamente sobre bullying expressam a influência da mídia sensacionalista, que explora, banaliza e reforça o senso comum em relação ao tema.
Nas escolas temos alunos, professores e outros membros da comunidade que vão para além do olhar superficial e imediatista, buscando informações embasadas em pesquisas científicas e nas experiências e conhecimentos construídos pelos movimentos sociais, levantando questionamentos mais amplos e desenvolvendo seu senso crítico.
As informações adiante elencadas não substituem a busca da compreensão crítica e que questiona a maneira como nossas sociedades apropriam-se das diferenças para transformá-las em desigualdades sociais.
Atualizarei periodicamente esta postagem. Edwiges


Temas desta postagem:
1) Definição de bullying e suas características
2) Relação entre o conceito de bullying e o conceito de "outsiders", de Norbert Elias
3) Bullying não ocorre só na escola
4) A banalização do bullying pela mídia sensacionalista e o senso comum

5) Medidas de combate ao bullying
6) Assédio moral e bullying
7) Cyberbullying
8) Leia mais sobre bullying

1) Definição de bullying e suas características
Primeiramente, bullying é um conceito que define a repetição intencional, sobre uma mesma pessoa, de práticas de opressão já conhecidas: marginalização, discriminação, estigmatização, assédio e agressão verbal e física contra aqueles que estão em condições de menor poder no grupo (abuso de poder), humilhação, intimidação, etc. 

Kenneth Shore define assim: "Existem, portanto, três características no bullying: é deliberado/intencional, acontece mais de uma vez, e há um marcante desequilíbrio de poder entre o bully e a vítima".

Leiam, ouçam e assistam ao cordel de Caca Lopes e Nando Poeta: "Bullying: uma tortura social", no qual eles dizem: "A onda de preconceito,/Que traz no berço o racismo,/Faz girar por todo o mundo/O mal do xenofobismo,/Espalha a homofobia/E dissemina o machismo". Algumas formas de bullying referidas neste cordel são formas de opressão contra determinados grupos sociais. O racismo é uma opressão étnica, que no Brasil se manisfesta especialmente contra negros e indígenas brasileiros, mas também contra asiáticos, indígenas de outras regiões das Américas, etc. Podemos considerar a xenofobia uma forma de opressão quando direcionada a imigrantes que buscam formas de sobrevivência em um país que não é o de sua origem e são discriminados, marginalizados. A homofobia é a opressão contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transsexuais. Finalmente, o machismo é uma forma de opressão que atinge as mulheres desde sua concepção e pela vida toda.

O vídeo adiante tem o título "O BULLYING NAS ESCOLAS, UM VERDADEIRO TRATADO SOBRE O ASSUNTO"

2) Relação entre o conceito de bullying e o conceito de "outsiders", de Norbert Elias
Na 2a. série do EM estudamos os conceitos de "outsiders" e estabelecidos, de Norbert Elias, e buscamos relacioná-los com temas como o bullying, por exemplo.

Ana Luíza Fayet Sallas diz em sua resenha sobre o livro  de Norbert Elias "Os Estabelecidos e os Outsiders: Sociologia das Relações de Poder a partir de uma Pequena Comunidade":"No centro de suas discussões estavam as relações de poder e de status no interior de uma comunidade. (...) Da figuração estabelecidos-outsiders, Elias identifica uma constante universal: 'o grupo estabelecido atribuía aos seus membros características humanas superiores; excluía todos os membros do outro grupo de contato social não profissional com seus próprios; e o tabu em torno desses contatos era mantido através de meios de controle social como a fofoca elogiosa no caso dos que o observavam, e a ameaça de fofocas depreciativas contra os suspeitos de transgressão' (:20). (...) E aqui está, no meu ponto de vista, um achado de Elias: pensamos constantemente a partir do foco das diferenças – sexo, cor, classe, nação – como diferenciais estruturais das relações de poder. Dificilmente chegamos a problematizar questões em que estão colocados os termos da igualdade, ou que o diferencial de poder possa estar associado, como é o caso deste estudo, ao tempo de residência naquele lugar e ao maior ou menor grau de coesão e organização de cada grupo inter-relacionado." (p. 217 a 218)

3) Bullying não ocorre só na escola
O bullying não é um fenômeno exclusivamente escolar e tem sido confundido com isso pois é nos meios educacionais que ele tem sido muito discutido, devido a ser a escola um espaço privilegiado para se combater e informar sobre o bullying. Leia a definição do que é bullying da Revista Escola:

"Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.
"É uma das formas de violência que mais cresce no mundo", afirma Cléo Fante, educadora e autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz (224 págs., Ed. Verus, tel. (19) 4009-6868 ). Segundo a especialista, o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.
http://www.vejaaqui.com/site1/
index.php?option=com_content&view
=frontpage
Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podesm apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio."


4) A banalização do bullying pela mídia sensacionalista e o senso comum
Algumas pessoas concluem que o bullying foi a causa da tragédia de Realengo, RJ, devido à abordagem de senso comum da mídia sensacionalista que focou neste ponto, muitas vezes, deixando de fazer a crítica a que tipo de sociedade é essa que propicia o isolamento de uma rapaz que sofria de uma doença mental que deveria ser acompanhada pelo serviço médico que o atendia e que não cumpriu seu papel. Havia o agravante de que ele se isolara após a morte da mãe adotiva. Ninguém viu isso? Leia o artigo de Duarte Pereira, que postei em 21 de abril deste ano: Um olhar sociológico sobre a tragédia de Realengo .

Vale lembrar o que estudamos na 1a. série do EM: "O(a) sociólogo(a) procura fugir do senso comum ao tratar de um tema sobre o qual estuda, ao evitar o imediatismo e a superficialidade, buscando trabalhar com diferentes aspectos da mesma questão; procurando entender quem são as pessoas envolvidas na situação; olhando sob diversos ângulos para seu assunto de estudo, para compreender as diferentes causas dos fatos e motivos das diversas pessoas envolvidas. Isso tudo leva a uma visão da complexidade de cada tema, sendo que ele varia segundo a época e a sociedade, segundo os motivos e conforme os estratos sociais envolvidos. Ele evita o preconceito ao afastar afirmações que expressem qualquer tipo de avaliação ou julgamento sobre as pessoas envolvidas no fenômeno que está estudando; finalmente, demonstra que toda compreensão sociológica e científica sobre um assunto exige uma reflexão ampla. Dessa maneira, ele evita generalizações indevidas."

5) Medidas de combate ao bullying
Sobre as medidas de combate ao bullying podemos acessar algumas matérias que irei atualizando periodicamente:

a) Em setembro de 2010, o delegado Bruno Fontenele Cabral escreveu: Reflexões sobre o combate ao bullying no direito brasileiro e norte-americano, um artigo bastante detalhado e com referências bibliográficas que podem interessar a quem queira aprofundar-se no tema.

b) Até maio de 2011 não há uma lei no Brasil sobre bullying! Como vocês podem ver na reportagem do UOL, em 19/04/2011, há apenas um anteprojeto:
"Promotores da Infância e Juventude de São Paulo querem que o bullying seja considerado crime. Um anteprojeto de lei elaborado pelo grupo prevê pena mínima de 1 a 4 anos de reclusão, além do pagamento de multa. Se a prática for violenta, reiterada e cometida por adolescente, em caso de condenação, o autor poderá ser acolhido pela Fundação Casa.
Pela proposta, pode ser penalizado quem expuser alguém de forma voluntária e mais de uma vez a constrangimento público, escárnio ou degradação física ou moral, sem motivação evidente e estabelecendo com isso uma relação desigual de poder. Se o crime for cometido por mais de uma pessoa, por meio eletrônico ou por qualquer mídia (cyberbullying), a pena será aumentada de um terço até a metade. E, se cometido contra menor de 14 anos ou pessoa com deficiência mental, a pena aumenta ainda mais um terço.
Quando resultar em lesão grave, a pena será de reclusão de 5 a 10 anos. Se ocasionar a morte da vítima, a reclusão será de 12 a 30 anos, além de multa - a mesma prevista para homicídios. O anteprojeto prevê ainda que, se a prática resultar em sequela psicológica à vítima (provada por meio de laudos médicos e psiquiátricos), a pena de reclusão será de 2 a 6 anos e multa. No entanto, como o bullying na maioria dos casos é praticado por crianças e adolescentes, os promotores vão precisar adaptar a tipificação penal dessas práticas à aplicação de medidas socioeducativas.
http://6anarede.blogspot.com/2011/04/o-
bullying-na-escola-o-bullying-comeca.html
O anteprojeto será submetido no próximo dia 6 de maio a aprovação na Promotoria da Infância e Juventude do Ministério Público e, depois, encaminhado ao procurador-geral, Fernando Grella, que deve enviar o texto a um deputado federal. As informações são do Jornal da Tarde."
http://loucurasdomundo.com/
conheca-os-tipos-de-bullying/

6) Assédio moral e bullying
São formas de violência verbal ou física com muitos pontos em comum, porém diferentes no que se refere a quem pratica e quem sofre, pois o assédio moral ocorre entre pessoas de grupos hierárquicos diferentes e o bullying ocorre entre pessoas de um mesmo grupo hierárquico. Leia no blog "Bully: No Bullying" a explicação de Carolina Giannoni Camargo: Bullying ou assédio Moral? 

7) Cyberbullying
A publicação de uma foto de terceiros nas redes sociais pode ser considerada como um ato de cyberbullying?

Sim, pois a publicação nas redes sociais foge ao controle de quem a fez inicialmente e, mesmo que o ato de quem publicou não tenha sido repetitivo (característica que define o bullying, em geral), o fato de outras pessoas poderem repetí-lo já leva a uma similitude ao bullying.

Pesquisando, para subsidiar nossa discussão, encontrei no site Nova Escola dois itens que esclarecem: I) "Como lidar com o cyberbulling? Mesmo virtual, o cyberbulling precisa receber o mesmo cuidado preventivo do bullying e a dimensão dos seus efeitos deve sempre ser abordada para se evitar a agressão na internet. Trabalhar com a ideia de que nem sempre se consegue tirar do ar aquilo que foi para a rede dá à turma a noção de como as piadas ou as provocações não são inofensivas. 'O que chamam de brincadeira pode destruir a vida do outro. É também responsabilidade da escola abrir espaço para se discutir o fenômeno', afirma Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).", II) "Cyberbullying: a violência virtual -Na internet e no celular, mensagens com imagens e comentários depreciativos se alastram rapidamente e tornam o bullying ainda mais perverso. Como o espaço virtual é ilimitado, o poder de agressão se amplia e a vítima se sente acuada mesmo fora da escola. E o que é pior: muitas vezes, ela não sabe de quem se defender";
Alguns especialistas consideram que  as publicações, por jovens e crianças, que envolvam adultos podem ser entendidas como bullying contra o adulto, portanto, para conhecer esta concepção leiam a reportagem Bullying contra professores na web. Nela você poderá verificar que há diferentes atitudes de professores diante do fato. No caso da escola pública há o agravante de que alguns casos podem ser considerados como desacato ao funcionário público, que também é normatizado em uma lei específica.

8) Leia mais sobre bullying

domingo, 29 de maio de 2011

"Capítulo especial da novela do novo Código Florestal": uma mostra da fragilidade da democracia diante do agronegócio

Olá. A aprovação do Novo Código Florestal é uma notícia gravíssima em todos os seus aspectos: a) sabemos que a proteção do meio ambiente é mais do que urgente, é a proteção da continuidade da vida humana, entre outras, no planeta; b) todos os grupos que defendem o meio ambiente e a vida humana, além de cientistas que se fundamentaram em estudos de profunda qualidade, não conseguiram influenciar na votação do Novo Código Florestal; c) o Novo Código promove a consolidação e expansão do agronegócio, desobriga em grande parte o reflorestamento, favorece a impunidade aos desmates ilegais, entre outras mazelas; d) a democracia no sistema capitalista demonstra mais uma vez que é uma democracia burguesa e para a burguesia, na medida que foi a vontade dos ruralistas que predominou por meio de seus deputados (eleitos sob seu financiamento de campanha eleitoral). Postei abaixo algumas matérias da imprensa internacional (1) e nacional (2), além de um vídeo didático (3) sobre as alterações no Código Florestal em vigência. Edwiges
1) A reportagem abaixo é extraída da RNW: Rádio Nederland Wereldomroep, foi escrita por Fábio Castro e publicada em 27 de maio de 2011.
"Capítulo especial da novela do novo Código Florestal
Foto: Leonardo F. Freitas/Flickr CC
Depois de uma nova onda de embate e manobras políticas nas últimas semanas, o texto-base do projeto do novo Código Florestal foi finalmente votado pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (25 de maio). Aprovado por uma maioria esmagadora de 410 a favor e 63 contra, o texto-base manteve vários pontos polêmicos, dos quais se destacam:
1) a anistia para os desmates ilegais; 2) a consolidação de áreas cultivadas nas áreas de preservação permanente (APP); 3) a isenção da reserva legal (RL) para propriedades de até quatro módulos rurais; e 4) a regulamentação ambiental repassada para o Estado. Se implementadas, estas medidas automaticamente desobrigarão o reflorestamento em áreas desmatadas sem a licença ambiental até julho de 2008 além de legalizar o aumento de área desmatada em propriedades privadas.
No contexto de exclusão social nos debates sobre os pontos polêmicos e de aumento súbito de desmatamento na Amazônia em um período atípico, se levantam questões sobre a fragilidade do governo e da sociedade civil em conter o desmatamento e o poder político da bancada ruralista.
Código Florestal ou do Agronegócio?

O novo Código Florestal é muito menos sobre floresta e mais sobre formas de consolidar e expandir áreas agrícolas. Os dois principais argumentos do projeto são que a pequena produção está freada pela área limitada de cultivo, e que o agronegócio depende de novas áreas para manter a sua competitividade no mercado mundial. O primeiro ponto é questionável e o governo e os movimentos sociais estavam abertos para discutir algumas medidas para sanar algumas anomalias legais. O segundo ponto, porém, é claramente refutável, uma vez que o aumento de produtividade agropecuária a partir de um pequeno investimento tecnológico é suficiente para liberar áreas já abertas para a expansão agrícola.
A estratégia política de apresentar a novo Código Florestal como um instrumento para resolver problemas do pequeno produtor e promover a economia nacional desmobilizou alguns setores da sociedade que apostam no desenvolvimento local e crescimento econômico mas desconhecem em detalhe o contexto socioambiental. Da mesma forma, a isenção de reflorestamento em áreas indevidamente desmatadas não só premia aqueles que desrespeitaram a lei, mas aumenta a vulnerabilidade de enchente, deslize de terras e assoriamento de rios em áreas rurais e urbanas ocupadas por outros cidadãos.
Sociedade Civil ou Elite Rural?
A votação do novo Código Florestal não é uma perda somente para o meio-ambiente, mas também para a democracia do Brasil. Embora haja um consenso sobre a necessidade de um novo Código Florestal, o processo foi comandado pela bancada ruralista enquanto outros setores da sociedade foram excluídos. Além dos inúmeros relatórios divulgados por ONGs e movimentos sociais, a Academia Brasileira de Ciência (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), duas entidades representativas da comunidade científica do país, submeteram à Câmara no início do ano um relatório de 124 páginas detalhando as implicações do novo Código Florestal fundamentados em informação de alta qualidade científica.
Na véspera da votação, num ato de desespero, 10 ex-Ministros do Meio Ambiente entregaram em mãos uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff pedindo o adiamento da votação para possibilitar uma discussão mais ampla sobre pontos de divergência. Em meio a tudo isso, a Ministra do Meio Ambiente Isabela Teixeira criou um gabinete de crise para conter o aumento do desmatamento na Amazônia de 570% nos dois últimos meses comparado com o mesmo período do ano anterior, anunciado na semana passada. Nem a mobilização da sociedade, nem o apoio do governo e nem a crise do desmatamento foram suficientes para frear a força da bancada ruralista, que transpassa a divisão entre governo e oposição na Câmara e conseguiu o apoio de 87% dos deputados presentes.
E agora?
A votação da última quarta-feira não foi o último capítulo desta novela. O próximo passo será a votação no Senado e, se aprovado, sancionado pela presidente, que já anunciou que manterá sua promessa de campanha em se opor a qualquer lei que afete as áreas de proteção permanente e reserva legal. Porém, considerando a força política da bancada ruralista, esse foi, sem dúvida, um capítulo especial, com uma probabilidade muito alta de levar a um final infeliz!

* Fábio de Castro é especialista em Ciência Ambiental e professor do CEDLA - Centro de Estudos e Documentação Latino-Americanos da Universidade de Amsterdã."

2) Jornal da Cultura, postado no Youtube: Novo Código Florestal


3) Vídeo didático sobre "Código Florestal em perigo", postado no Youtube pela Fundação O Boticário:

Texto que acompanha este vídeo:
"Assine o manifesto http://www.avaaz.org/po/peticao_codigo_florestal/?sos e diga não às alterações no Código Florestal Brasileiro.
Precisamos de 200 mil assinaturas em nossa petição. Ela ajudará evitar que substitutivo ao projeto de lei n° 1876/99 - que prevê mudanças no Código Florestal seja aprovado. A votação está prevista para breve no Congresso Nacional.
Veja no vídeo como essas alterações poderão reduzir drasticamente as áreas naturais protegidas de nosso país, prejudicando o meio ambiente e a sociedade civil.
Você tem papel decisivo para que possamos proteger nosso maior patrimônio.
Assine e divulgue nas redes sociais. Juntos vamos impedir que o Brasil entre na contramão da história.
Saiba mais, acesse: http://www.sosflorestas.com.br"
============================
Veja mais em:
Site SOS Florestas
http://www.sosflorestas.com.br/
Histórico do Código Florestal
http://www.sosflorestas.com.br/historico.php
Mudanças Propostas pelos ruralistas
http://www.sosflorestas.com.br/mudancas_ruralistas.php
Propostas do Movimento Sócioambientalista
http://www.sosflorestas.com.br/propostas_socioambientalista.php
Quadro comparativo das propostas
http://www.sosflorestas.com.br/quadro_comparativo.php
Glossário do tema
http://www.sosflorestas.com.br/glossario.php

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que as mulheres jovens manifestam: "Não é ficar só no bonitinho..."! e muito menos "Entre os muros"

Olá! Entre as tantas formas de expressão que as mulheres jovens têm utilizado na sua luta contra a opressão machista, podemos destacar o grafite como uma das maneiras da mulher ir para além do "bonitinho" e para além dos muros a que se pretende destiná-las.
Postei aqui dois vídeos. O primeiro é uma gravação do programa da TV Cultura, Manos e Minas, com uma reportagem de Juju Denden sobre o encontro de 30 grafiteiras em São Paulo, é sobre a mulher fora dos muros . Observe nele a declaração de Lia, aos 03:30 minutos do vídeo.
O segundo, em duas partes, é o já conhecido pelas feministas "Acorda Raimundo...Acorda!", que mostra a mulher entre os muros. Edwiges

"Manos e Minas - Grafiteiras"

 "Acorda Raimundo... Acorda!" (Parte 1/2)

 "Acorda Raimundo... Acorda!" (Parte 2/2)

A manisfestação artística de jovens negros e negras: o Hip Hop brasileiro

Olá! O Hip Hop é uma forma de manifestação artística contra a opressão racial e a desigualdade de classe social. Extraí este trecho de uma matéria, do site Com Ciência, que discute as características do Hip Hop no Brasil e fala da influência do samba nesta manifestação. Edwiges

"Hip Hop fala contra o racismo e a desigualdade social

Muitas das manifestações culturais brasileiras estão identificadas com a população negra. O samba, caboclinho, maracatu, movimento Mangue Beat, capoeira e muitas outras são lembradas como parte da grande contribuição dos negros para a cultura nacional. Dentro dessa diversidade, o movimento Hip Hop tem ganhado cada vez mais destaque no Brasil e atraído muitos jovens, especialmente aqueles que moram nas periferias.
Não é nada fácil entender o Hip Hop, que veio da periferia nova iorquina para o Brasil no final da década de 1980, via indústria fonográfica. É um movimento com várias tendências internas, mas que pauta-se pela denúncia da exclusão social e pela discussão de questões relativas à história e à identidade dos negros.
Formado por três elementos - o rap (música), o break (dança) e o grafite (desenho) - ao chegar no Brasil ele foi influenciado pela cultura local e adquiriu novos traços e novas formas de manifestação. Em parte, por causa da influência cultural local, o Hip Hop brasileiro diferencia-se do norte-americano. "O brasileiro é muito melhor do que o americano, que foi banalizado. Muitos representantes do Hip Hop lá fora se venderam para o sistema. Eles não querem ver o bem do povo deles, eles querem que o seu povo se mate para conseguir um Nike, um carro... No Brasil, o Hip Hop é mais consciente, quer ver o povo melhorar, prega a informação", afirma Cibele Cristiane Rodrigues, militante do movimento.


Cibele e Verônica, militantes do Hip Hop
Fotos: Márcia Tait
Não é à toa que o Hip Hop tem ganhado cada vez mais militantes e mais espaço no Brasil. Segundo Viviane Melo de Mendonça Magro, psicóloga que estuda o movimento no Brasil, com ênfase na questão de gênero, sua popularidade se deve ao fato de ser um movimento enraizado nas experiências de jovens e pessoas que vivem na periferia, além de ser muito organizado. "As histórias do rap são histórias fictícias ou reais de pessoas que vivem na periferia, baseadas na vivência na periferia. Para elas, o Hip Hop é uma forma de resistência e mudança da realidade", conta Viviane Magro.
(...)"
LEIA a continuação desta matéria no site Com Ciência.
Disponível em: http://www.comciencia.br/reportagens/negros/09.shtml . Acesso em: 27 de mai 2011.
=================================
Apresentação de Marcelo D2, gravada pela TV Cultura. Música: 1967.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Resposta artística ao bullying contra homossexuais

Olá
Aos 02:50 minutos deste vídeo - http://youtu.be/oIVlTOpnq84 -, no Youtube, inicia-se o depoimento de uma artísta jovem que nos ofereceu uma resposta artística ao bullying que sofreu na escola. O bullying contra homossexuais é uma das formas de opressão muito disseminadas nas escolas.
O vídeo nos oferece, além da arte, várias ideas para serem refletidas sobre as diferenças, desde as diferenças de orientação sexual até as diferenças religiosas. Edwiges

Sobre o vídeo:
"Vídeo-registro da 5a Mostra de Arte Lésbica (abertura e premiação) e da comemoração dos 10 anos do MO.LE.CA. (Movimento Lésbico de Campinas). A 5a Mostra ocorreu de 30/julho à 15/agosto de 2010. A premiação ocorreu junto com o "1º Seminário Muxima dia Muato: O axé do Ilê", organizado pela Associação Social Cultural e Beneficente Inzo Musambu "Rainha das Águas Doces", discutindo a homossexualidade nos terreiros.
Produção: MO.LE.CA. (Movimento Lésbico de Campinas)
Filmagem e entrevistas: Cristina Beskow e Jefferson Vasques; Edição: Jefferson Vasques (Camará comunicação e educação popular: www.camaracom.com.br)"

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um olhar sociológico sobre a tragédia de Realengo

O artigo, de Duarte Pereira, que reproduzo abaixo foi extraído do blog REA: Revista Espaço Acadêmico e lança um olhar sociológico sobre a tragédia que foi tratada pela mídia, em geral, sob um olhar de senso comum: http://espacoacademico.wordpress.com/2011/04/21/tragedia-em-realengo-se-transforma-em-circo-de-horrores-dissociado-de-reflexao-social/ .Edwiges
===========================================

"Tragédia em Realengo se transforma em circo de horrores dissociado de reflexão social

Posted: 21/04/2011 by Revista Espaço Acadêmico in colaborador(a)
por DUARTE PEREIRA*
“Alô, alô, Realengo:
Aquele abraço!”
(Gilberto Gil, no samba-exaltação Aquele abraço, ao partir para o exílio, forçado pela ditadura militar)

A dor pelas mortes e pelos ferimentos, brutais e gratuitos, das crianças e pré-adolescentes da Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, não deve obscurecer nossa consciência crítica.
Nada que é humano é somente individual. É individual e social. Mesmo a loucura e suas consequências.
Em que exemplos de violência e insensibilidade, reais e fictícios, o rapaz Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, ex-aluno da escola atingida, buscou inspiração? Onde conseguiu informações sobre o manejo de armas e o planejamento de massacres? Como adquiriu os dois revólveres e a farta munição que utilizou? Por que Wellington, filho de uma paciente psiquiátrica, arredio desde criança, e que já apresentava há vários meses, após o falecimento dos pais adotivos, sinais perceptíveis de descontrole e decadência pessoal, foi esquecido sozinho numa casa herdada, sem apoio nem assistência?
A forma capitalista de vida social, sobretudo em seus traços contemporâneos, engendra um individualismo cada vez mais exacerbado e uma perda crescente de atenção e solidariedade das pessoas entre si. Não é possível outra forma de sociabilidade humana, que reduza tragédias como a que ensanguentou ontem pela manhã o bairro carioca de Realengo?
Estou cada vez mais estarrecido com a cobertura predominantemente passional e facciosa da tragédia ocorrida em escola municipal do Rio de Janeiro, no bairro do Realengo.
O jovem Wellington de Oliveira, autor dos disparos que mataram e feriram alunos inocentes da escola, foi chamado de “meliante” nas primeiras declarações do policial que o abateu e continua sendo indigitado como “assassino” por quase toda a mídia, embora já se saiba que sofria de esquizofrenia desde criança. A mídia negligencia as informações de que Wellington, quando era aluno da escola, passou por vexames e humilhações por causa de sua introversão e bizarrices. Não aborda a falta de acompanhamento e tratamento adequados de um paciente diagnosticado de esquizofrenia desde criança, o que agravou a evolução de sua enfermidade. Não trata das informações sobre atentados e manejo de armas que podem ser acessadas facilmente na internet. Não reavalia a divulgação maciça, cotidiana e acrítica dos mais variados atos e formas de violência praticadas por grandes potências e contumazes delinquentes, reproduzidos em filmes de sucesso e até mesmo em jogos eletrônicos. Não esclarece como Wellington conseguiu as armas e as munições, sem as quais não poderia ter feito seus disparos cruéis e desvairados. Não alerta para a atmosfera envenenada de individualismo e competição em que a infância e a juventude vêm sendo forjadas.
Com essa cobertura irresponsável e superficial, a maioria da mídia apenas acirra a dor e as reações equivocadas dos parentes das vítimas e de um amplo setor popular. E, nesse clima irracional, as autoridades policiais já alertam para possíveis ataques de represália a familiares do jovem atirador.
São poucos também os professores e mais reduzidas ainda as entidades do magistério que têm vindo a público para lembrar a violência que se tornou endêmica nas escolas, principalmente nas escolas públicas, rebatendo a ideia de que a tragédia do Realengo possa ser considerada um fato isolado e imprevisível. Surpreende também que os movimentos de saúde, sobretudo os de saúde mental, não se empenhem em repor a apreciação do trágico acontecimento num quadro mais objetivo e multilateral, que leve em conta a condição do autor dos disparos, a falta de acompanhamento e tratamento de seu padecimento mental e as circunstâncias finais de abandono e solidão que precederam seu gesto de sofrida insanidade. Preocupa também que juristas de indiscutíveis convicções democráticas não se pronunciem para reclamar o tratamento jurídico adequado que merece um jovem esquizofrênico, mesmo que pratique atos de grande crueldade.
Abalados pelo acontecimento, que não conseguem entender satisfatoriamente, muitos parecem retroceder à Idade Média, quase pregando a condenação dos loucos como endemoninhados e bruxos e seu justiçamento nas chamas de fogueiras.
Vêm à lembrança as advertências de Engels e de Rosa Luxemburgo de que o declínio da civilização capitalista poderia ser seguido não por um salto socialista, mas por uma regressão à barbárie. É preciso insistir, portanto, na necessidade de lutar pela alternativa de uma civilização superior, socialista, baseada não apenas no poder democrático dos trabalhadores, na propriedade social dos meios de produção, no planejamento das atividades econômicas ou em serviços públicos universais e de qualidade, principalmente nas áreas de saúde, educação e previdência, mas também em valores de respeito, solidariedade e ajuda mútua no convívio social.
Questões que não querem calar
O programa “Fantástico” transmitido pela Rede Globo na noite de domingo exibiu novas reportagens sobre a tragédia que se abateu sobre a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. As reportagens devem ter suscitado novas preocupações nos espectadores atentos.
1) É legal e admissível que a polícia carioca repasse imagens e documentos da investigação para a Rede Globo com exclusividade, discriminando os outros veículos de comunicação?
2) Segundo as imagens transmitidas, as professoras das duas salas de aula invadidas pelo atirador foram as primeiras a fugir, deixando para trás as crianças e adolescentes pelos quais eram responsáveis. Por que a entrevistadora não questionou esse comportamento? Por que as autoridades educacionais do Rio de Janeiro não apuram, nem discutem com as famílias dos alunos, a conduta da direção, dos professores e dos funcionários da escola no episódio, até mesmo para estabelecer padrões de reação escolar na eventual repetição de ocorrências semelhantes? Segundo regra conhecida, o comandante de uma embarcação que naufraga deve ser o último a abandoná-la.
3) Relatos de colegas de Wellington de Oliveira, reproduzidos pelo programa da Globo, confirmaram que o menino introspectivo e vulnerável costumava ser objeto de gozações e humilhações na escola. Grupos de alunas o cercavam, roçando seu corpo e simulando assediá-lo sexualmente, para o sádico divertimento de outros alunos e alunas que assistiam. Em uma ocasião pelo menos, colegas mais fortes o levantaram pelas pernas, enfiaram sua cabeça numa privada e acionaram a descarga, conforme os entrevistados admitiram. Contraditoriamente, uma das professoras que abandonou precipitadamente a sala de aula, deixando para trás seus alunos, declarou enfaticamente no programa da Globo que nunca houve “histórico de violência” na Escola Municipal Tasso da Silveira. O que era feito com Wellington não configura violência e violência repetida? Como são supervisionados os banheiros, os horários de recreio e as saídas das escolas, que se têm revelado momentos e espaços críticos para a integridade e a segurança de alunas e alunos mais indefesos?
4) Conforme as declarações de um dos irmãos de criação de Wellington, a mãe deles foi chamada à escola, alertada para o comportamento discrepante do aluno e aconselhada a procurar um psicólogo ou psiquiatra para avaliá-lo. Isso foi feito? Em nossa sociedade capitalista, sobretudo na fase neoliberal e privatizante que atravessa há cerca de duas décadas, existe serviço público na região capaz de assegurar esse atendimento, tratamento e acompanhamento? Por que esses aspectos da tragédia não são pesquisados, nem discutidos?
5) Por que não têm sido ouvidos juristas competentes sobre os aspectos penais envolvidos em atos de jovens esquizofrênicos, mesmo que esses atos sejam chocantes, brutais e injustificáveis como os que abalaram a escola do Realengo? Se Wellington tivesse sobrevivido, ele poderia ser levado a júri e condenado à prisão? É correto tratá-lo raivosamente como “criminoso” e “assassino” como qualquer jovem normal e imputável, esquecendo seu prolongado e negligenciado sofrimento mental? A dor merecida pelas vítimas de sua insanidade e a solidariedade com os familiares dos alunos mortos e feridos devem impedir a solidariedade com os familiares do autor dos disparos e a compaixão pelo jovem que premeditou e executou o massacre e acabou sendo vítima de seus próprios atos tresloucados?
A tragédia do Realengo precisa ser debatida de forma séria e multilateral se a intenção for evitar a repetição de ocorrências semelhantes e não apenas disputar índices de audiência.
É preciso insistir: tudo que é humano é inseparavelmente individual e social. Inclusive a loucura e suas consequências. O capitalismo contemporâneo incentiva, mais do que nunca, o individualismo, a competição, a insensibilidade. Exalta os vencedores e despreza os derrotados. Pode queixar-se de colher os frutos de seu darwinismo social?
Internem a Globo?
O locutor William Bonner anunciou ontem à noite (11/04) em tom dramático pelo Jornal Nacional, transmitido pela Rede Globo para todo o país, que o “homem” que assassinou “covardemente” alunas e alunos da escola carioca Tasso da Silveira mantinha contatos com um grupo “terrorista” supostamente islâmico, insinuando que esse grupo o poderia ter influenciado a planejar e executar o ataque sangrento à escola.
Era o que faltava. A Globo encontrou a linha ideal de investigação policial para tentar impedir qualquer discussão séria e abrangente sobre as causas que levaram à tragédia do Realengo e para deslocar as responsabilidades por essa tragédia da direita para a esquerda do espectro político. Nada de falar na esquizofrenia do jovem Wellington de Oliveira, nem na falta de apoio e tratamento que agravou sua enfermidade. Nada de recordar as perseguições e humilhações que sofreu quando era aluno da escola atacada. Nada de mencionar as informações sobre armas e massacres que podem ser acessadas facilmente na internet. Nada de aludir à cultura de individualismo, competição e insensibilidade disseminada pelo capitalismo contemporâneo. Nada de referir-se aos filmes, jogos e exemplos de truculência e crueldade que vêm dos Estados Unidos e das outras potências imperialistas. A grande questão passou a ser, para a Globo, os contatos de Wellington com um alegado grupo “terrorista”, que pode nem ser real, mas criado pela imaginação doentia do jovem.
Acresce que para os monopólios capitalistas de informação como a Globo a palavra “terrorismo” abarca tanto os atos de terror propriamente ditos e as organizações que os praticam quanto à resistência armada de povos oprimidos, como o palestino. Em contrapartida, para esses monopólios da informação, Estados, exércitos e partidos como os de Israel e dos Estados Unidos, que bombardeiam e devastam outros países e assassinam seletivamente seus líderes, não praticam o terrorismo. Assim, ao tentar envolver um suposto grupo “terrorista” nos atos tresloucados do jovem Wellington, a Globo busca comprometer setores que a população costuma considerar de esquerda no massacre justificadamente repudiado.
No esforço para montar essa versão tendenciosa, a Globo não se constrangeu sequer com uma objeção de simples bom senso: por que algum grupo terrorista, de direita ou de esquerda, teria interesse em insuflar um ataque à modesta escola municipal de bairro periférico do Rio de Janeiro?
Para revestir de alguma credibilidade a insinuação, o Jornal Nacional ouviu o ministro da Justiça que se prestou a declarar que a Polícia Federal apoiará todas as linhas de investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, inclusive a do alegado envolvimento de grupo “terrorista” com as maquinações do jovem Wellington de Oliveira. O que não consegue a poderosa Globo?



* DUARTE PEREIRA é jornalista, escritor e ex-dirigente da Ação Popular. Publicado no CORREIO DA CIDADANIA, 13/04/2011, disponível em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5716/9/"

domingo, 27 de março de 2011

"Diversidade regional brasileira": Paratodos (clipe oficial) - Chico Buarque



Paratodos

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro


Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas

Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro

Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinicius
Beba Nelson Cavaquinho

Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto

Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethânia, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro

1993 © - Marola Edições Musicais Ltda.

sábado, 26 de março de 2011

"Formação da diversidade brasileira": Museu do Imigrante em São Paulo

"Formação da diversidade brasileira"

Transporte de imigrantes
Acessível em: gehernandez.sites.uol.com.br

Nas segundas séries, no percurso de nossos estudos sobre a "Formação da diversidade brasileira", estudamos os movimentos migratórios (migração, emigração e imigração); a visao sociológica da figura do estrangeiro; as causas dos movimentos migratórios (equilibrio entre os fatores de expulsão e de atração); assim como, as consequências desses movimentos (as tensões causadas pelos choques culturais e suas acomodações: aculturação e assimilação).
Para complementar nosso estudos, indico a visita ao site do Memorial do Imigrante, em São Paulo, onde se pode encontrar informações, atestados e certidões sobre as famílias que imigraram para São Paulo e se passaram pela Hospedaria dos Imigrantes; contato e como agendar pesquisas e consultas; assim como o Projeto do Novo Memorial do Imigrante (com vídeo sobre como será estruturado o Museu do Imigrante, desde a reflexão das migrações humanas, em geral, até as imigrações específicas no estado de São Paulo): Vídeo sobre o Projeto do Novo Memorial do Imigrante .

  

Desembarque de imigrantes
Acessível: Memorial do Imigrante


   

Hospedaria dos imigrantes em SP
Acessível em: usp.br
 



Hospedaria dos Imigrantes
acessível em : Memorial dos Imigrantes
 















Links para outras informações sobre a imigração para São Paulo:
"Dia Nacional da Imigração Japonesa:MEIAS VERDADES, TOTAL SOFRIMENTO"


Imigrantes japoneses
Acessível em: portalsaofrancisco.com.br


"BELO MONTE: O DIÁLOGO QUE NÃO HOUVE": Manipulações do governo para construção da Usina de Belo Monte

Rio Xingu
http://www.4shared.com/photo/03SLs9So/rio-xingu.html
Recebemos o comunicado do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), apresentando a Carta Aberta do Bispo do Xingu e presidente do CIMI sobre a manipulação do governo federal para a construção da Usina Belo Monte. O governo utiliza-se de reuniões com os povos indígenas, que são contra essa construção, para levar a população a crer que esses indígenas são a favor da construção. Leiam o comunicado e a carta aberta do bispo, além dos links com mais informações e opiniões. Edwiges
======================================================
"Dom Erwin Kräutler entrega, hoje a tarde, representação contra UHE Belo Monte
Na tarde de hoje, 25, dom Erwin Kräutler, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e bispo do Xingu (PA) entregará à vice-procuradora Geral da República, doutora Débora Duprat, representação denunciando irregularidades que margeiam o projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte. Entre as denúncias está a utilização de má fé do conteúdo das reuniões informativas realizadas com as comunidades indígenas ameaçadas pela UHE, convertendo-as em falsas oitivas indígenas.

De acordo com o cacique Zé Carlos Arara, o grupo assinou a ata do encontro justamente para comprovar que não era oitiva indígena, para provar que era uma reunião de fechamento de um trabalho realizado junto com a comunidade. No entanto, o governo prova mais uma vez seus desmandos, propalando, provavelmente com base nesses documentos, ter realizado as oitivas junto aos povos indígenas da região.

Carta aberta
Ainda esta manhã, dom Erwin emitiu carta aberta à opinião pública nacional e internacional, denunciando esta e demais irregularidades que envolvem o empreendimento, previsto para ser construído no rio Xingu, Pará."


"BELO MONTE: O DIÁLOGO QUE NÃO HOUVE

Carta aberta à Opinião Pública Nacional e Internacional

Venho mais uma vez manifestar-me publicamente em relação ao projeto do Governo Federal de construir a Usina Hidrelétrica Belo Monte cujas consequências irreversíveis atingirão especialmente os municípios paraenses de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e os povos indígenas da região.

Como Bispo do Xingu e presidente do Cimi, solicitei uma audiência com a Presidente Dilma Rousseff para apresentar-lhe, à viva voz, nossas preocupações, questionamentos e todos os motivos que corroboram nossa posição contra Belo Monte. Lamento profundamente não ter sido recebido.

Diferentemente do que foi solicitado, o Governo me propôs um encontro com o Ministro de Estado da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. No entanto, o Senhor Ministro declarou na última quarta-feira, 16 de março, em Brasília, diante de mais de uma centena de lideranças sociais e eclesiais, participantes de um Simpósio Sobre Mudanças Climáticas que “há no governo uma convicção firmada e fundada que tem que haver Belo Monte, que é possível, que é viável... Então, eu não vou dizer prá Dilma não fazer Belo Monte, porque eu acho que Belo Monte vai ter que ser construída”.

Esse posicionamento evidencia mais uma vez que ao Governo só interessa comunicar-nos as decisões tomadas, negando-nos qualquer diálogo aberto e substancial. Assim, uma reunião com o Ministro de Estado Gilberto Carvalho não faz nenhum sentido, razão pela qual resolvi declinar do convite.

Nestes últimos anos não medimos esforços para estabelecer um canal de diálogo com o Governo brasileiro acerca deste projeto. Infelizmente, constatamos que esse almejado diálogo foi inviabilizado já desde o início. As duas audiências realizadas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 19 de março e 22 de julho de 2009, não passaram de formalidades. Na segunda audiência, o ex-presidente nos prometeu que os representantes do setor energético, com brevidade, apresentariam uma resposta aos bem fundamentados questionamentos técnicos feitos à obra pelo Dr. Célio Bermann, professor do curso de pós-graduação em energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo. Essa resposta nunca foi dada, como também nunca foram levados em conta os argumentos técnicos contidos na Nota Pública do Painel de Especialistas, composto por 40 cientistas, pesquisadores e professores universitários.

Observamos, pelo contrário, na sequência a essas audiências, que técnicos do Ibama reclamaram estar sob pressão política para concluir com maior rapidez os seus pareceres e emitir a Licença Prévia para a construção da usina. Tais pressões políticas são de conhecimento público e motivaram, inclusive, a demissão de diversos diretores e presidentes do órgão ambiental oficial. Em seguida, foi concedida uma "Licença Específica", não prevista na legislação ambiental brasileira, para a instalação do canteiro de obras.

No dia 8 de fevereiro de 2011, povos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores e representantes de diversas organizações da sociedade realizaram uma manifestação pública em frente ao Palácio do Planalto. Na ocasião, foi entregue um abaixo-assinado contrário à obra, contendo mais de 600 mil assinaturas. Embora houvessem solicitado uma audiência com bastante antecedência, não foram recebidos pela Presidente. Conseguiram apenas entregar ao ministro substituto da Secretaria Geral da Presidência, Rogério Sottili, uma carta em que apontaram uma série de argumentos para justificar o posicionamento contrário à obra. O ministro prometeu mais uma vez o diálogo e considerou a carta "um relato que prezo, talvez um dos mais importantes da minha relação política no Governo (...) vou levar este relato, esta carta, este manifesto de vocês, os reclamos de vocês...". Até o momento, nenhuma resposta!

As quatro audiências - realizadas em Altamira, Brasil Novo, Vitória do Xingu e Belém - não passaram de mero formalismo para chancelar decisões já tomadas pelo Governo e cumprir um protocolo. A maioria da população ameaçada não conseguiu se fazer presente. Pessoas contrárias à obra que conseguiram chegar aos locais das audiências não tiveram oportunidade real de participação e manifestação, devido ao descabido aparato bélico montado pela Polícia.

Até o presente momento, os índios não foram ouvidos. As "oitivas" indígenas não aconteceram. Algumas reuniões foram realizadas com o objetivo de informar os índios sobre a Usina. Os indígenas que fizeram constar em ata sua posição contrária à UHE Belo Monte foram tranquilizados por funcionários da Funai que as "oitivas" seriam realizadas posteriormente. Para surpresa de todos nós, as atas das reuniões informativas foram publicadas pelo Governo de maneira fraudulenta em um documento intitulado "Oitivas Indígenas". Esse fato foi denunciado pelos indígenas que participaram das reuniões. Com base nestas denúncias, peticionamos à Procuradoria Geral da República investigação e tomada de providências cabíveis.

A tese defendida pelo Sr. Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de que as aldeias indígenas não serão afetadas pela UHE Belo Monte, por não serem inundadas, é mera tentativa de confundir a opinião pública. Ocorrerá justamente o contrário: os habitantes, tanto nas aldeias como na margem do rio, ficarão praticamente sem água, em decorrência da redução do volume hídrico. Ora, esses povos vivem da pesca e da agricultura familiar e utilizam o rio para se locomover. Como chegarão a Altamira para fazer compras ou levar doentes, quando um paredão de 1.620 metros de comprimento e de 93 metros de altura for erguido diante deles?

Julgo fundamental esclarecer que não há nenhum estudo sobre o impacto que sofrerão os municípios à jusante, Senador José Porfírio e Porto de Moz, como também sobre a qualidade da água do reservatório a ser formado. Qual será o futuro de Altamira, com uma população atual de 105 mil habitantes, ao ser transformada numa península margeada por um lago podre e morto? Os atingidos pela barragem de Tucuruí tiveram que abandonar a região por causa de inúmeras pragas de mosquitos e doenças endêmicas. Mas os tecnocratas e políticos que vivem na capital federal, simplesmente menosprezam a possibilidade de que o mesmo venha a acontecer em Altamira.

Alertamos a sociedade nacional e internacional que Belo Monte está sendo alicerçada na ilegalidade e na negação de diálogo com as populações atingidas, correndo o risco de ser construída sob o império da força armada, a exemplo do que vem ocorrendo com a Transposição das águas do rio São Francisco, no nordeste do país.

O Governo Federal, no caso da construção da UHE Belo Monte, será diretamente responsável pela desgraça que desabará sobre a região do Xingu e sobre toda a Amazônia.

Por fim, declaramos que nenhuma “condicionante” será capaz de justificar a UHE Belo Monte. Jamais aceitaremos esse projeto de morte. Continuaremos a apoiar a luta dos povos do Xingu contra a construção desse “monumento à insanidade”
Brasília, 25 de março de 2011
Dom Erwin Kräutler
Bispo do Xingu e Presidente do
Cimi – Conselho Indigenista Missionário"
Assessoria de imprensa do CIMI: imprensa@cimi.org.br



Gráfico em 4 tempos sobre o impacto da construção da usina de Belo Monte:

Belo Monte derruba presidente do Ibama:

"Ibama libera licença para construção da Usina de Belo Monte"
Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:

Vídeo sobre impacto de Belo Monte:

Uma discussão para nos iluminar:

Questão de tempo:

Dilma: desenvolvimento com preservação do meio ambiente é "missão sagrada":

Em nota, 56 entidades chamam concessão de Belo Monte de 'sentença de morte do Xingu':

"Governo federal enfia goela abaixo a usina Belo Monte"

Marina Silva considera 'graves' as pressões sobre o Ibama:

Segurança energética, alternativas e visão do WWF-Brasil: